quinta-feira, 24 de abril de 2014

A emergência de uma “nova de uma classe média” no Brasil: a dissintonia de uma ideia


A emergência de uma “nova de uma classe média” no Brasil: a dissintonia de uma ideia
por João Batista Pamplona e Amanda Viviam dos Santos (retirado de Le Monde Diplomatique)

    Grande parte da imprensa brasileira – respaldada por órgãos do governo federal e por alguns autores   – divulga há alguns anos a ideia de que depois de 2002 teria havido a emergência de uma “nova classe média” no Brasil. Tem-se aceitado, sem a necessária e cuidadosa reflexão, manchetes como: “Mais da metade dos brasileiros está na classe média”; “Renda aumenta nas favelas e classe média chega a 65% dos moradores”  .
Após 2003 houve de fato um importante movimento no perfil da distribuição de renda do Brasil, resultante de um aumento significativo e maior da renda de segmentos mais pobres da população brasileira. Nesse período, ocorreu crescimento dos rendimentos reais do trabalho para todos os estratos da distribuição, mas os da base tiveram aumentos bem maiores do que os estratos superiores.  Como consequência, verificou-se diminuição da concentração de renda e da pobreza no Brasil  .  Por trás desse movimento esteve a política de valorização do salário mínimo – aumento de mais de 50% em termos reais – e o aquecimento do mercado de trabalho, representado pela queda do desemprego que foi reduzido à metade.
     Diante deste cenário, surge o seguinte problema: este aumento real expressivo do rendimento da população de baixa renda no Brasil permitiu alçá-la à condição de classe média?  Em outras palavras: a recente elevação no padrão de renda e consumo de segmentos sociais de baixa renda deu origem a uma “nova classe média” no Brasil? Essa é uma denominação adequada para o fenômeno em questão?
     Quando o tema é a definição de classe social em geral, ou de classe média em particular, o recomendável é recorrer a Karl Marx e Max Weber, dois autores clássicos do pensamento social e econômico que fundamentam as interpretações mais consistentes sobre a controversa e extensa problemática.  Mas não é isso que é feito a seguir.   O primeiro motivo é a necessária concisão que este artigo requer.  O segundo é a dimensão histórica das contribuições dos autores clássicos.  Marx e Weber criaram o conceito de classe média, ou classes médias, em um contexto histórico de formação e expansão da sociedade capitalista.  Com o surgimento das sociedades capitalistas avançadas em meados do século XX, o assalariamento nas grandes empresas passou a ter relevância social e econômica em geral superior à posse de pequenas propriedades ou negócios.
 Erik Olin Wright e Charles Wright Mills, tendo como base a escola marxista e a weberiana, respectivamente, incorporaram as mudanças do contexto histórico no debate acerca da definição de classe média. Esses autores são referências da sociologia moderna no tema.  São eles que alicerçam boa parte dos argumentos apresentados neste artigo, os quais demonstram a falta de correspondência entre aquilo que sociologicamente pode ser entendido como classe média e o fenômeno de mudança de renda e padrão de consumo verificado recentemente para parte da população brasileira.
    Wright (1985, 1989) constrói sua narrativa partindo da existência de duas classes sociais básicas na sociedade capitalista: a dos trabalhadores e a dos capitalistas. Esta duas classes se constituem a partir de mecanismo de exploração formado por relações sociais de produção que se estabelecem entre quem tem a propriedade dos meios de produção (“ativos de capital”, na expressão de Wright) e quem não a tem. No entanto, o autor aponta a existência de “localizações contraditórias” na estrutura social, que estão inseridas nas relações de exploração, mas são diferentes das duas classes básicas.   As classes médias ocupam essas “localizações contraditórias” porque controlam “ativos de qualificação” e “ativos de organização”.   Embora estejam também submetidas à exploração capitalista, como afirma Bertoncelo (2010, p.22), interpretando Wright, elas também desfrutam de uma posição privilegiada na apropriação do excedente social em decorrência da posse desses ativos.  Os profissionais qualificados são um bom exemplo dessa situação para Wright.
 Mills (1979) aponta a existência de duas classes médias: uma antiga e outra nova, a primeira baseada na propriedade, a segunda estabelecida por meio da ocupação.  Para ele a classe média antiga perderia espaço para a nova classe média, já que o mercado de trabalho, e não mais a propriedade, passaria a ser o elemento principal que levaria o indivíduo a ter acesso a dinheiro, poder e prestígio. Neste sentido, essa nova classe média se aproximaria dos operários, uma vez que ambos não possuem meios de produção.  No entanto, como destaca França (1994), interpretando Mills, o que delimita uma situação de classe média é o tipo de emprego e as variações ocupacionais acarretam níveis diversos de especializações e funções que articulam diferenças de poder e prestígio.  O prestígio e poder superiores de que dispõe a nova classe média em relação aos trabalhadores é resultado, segundo Mills (1979), de um relacionamento muito próximo com os donos do capital (o prestígio da empresa passa a ser usufruído pelo gerente, pelo executivo), de anos a mais de estudo, do desempenho de tarefas mais variadas, de diferenças étnicas, de uma renda superior; e, em se tratando de poder, do exercício da supervisão e de sua estreita ligação com cargos de direção.  E como acrescenta Maia (2006), particularismos nos modos de vida e das formas de sociabilidade (maneira de se vestir, relacionamento com autoridades, etc.), além de distintos níveis de sentimento de subordinação, diferenciam os trabalhadores das classes médias.
    Os defensores da ideia da emergência de uma “nova classe média” apoiam-se exclusivamente em critérios de renda como definidor de classes e estabelecem intervalos de renda per capita familiar dentro do qual estaria a classe média brasileira.  Um desses intervalos, estabelecido por SAE (2014), possui o limite mínimo de R$ 291,00 e o limite máximo de R$ 1.019,00, correspondendo a valores de abril de 2012.  Esta mesma fonte, procurando reduzir os efeitos da subdeclaração de renda presentes nos levantamentos da PNAD, sugere um novo limite mínimo – R$ 458,00 – para o intervalo, com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE.  Aceitando essa compensação, multiplicando esse valor por 3 (tamanho médio da família brasileira) e corrigindo pela inflação do período, ter-se-ia algo como R$ 1.500,00 (valores de abril de 2014) como renda mínima para que uma família seja considerada de classe média por SAE (2014).  Isso significa que uma família de uma grande cidade brasileira composta de uma faxineira, de um porteiro, de um filho dependente, ganhando cada um R$ 750,00 (cerca de um salário mínimo), seria considerada uma família de classe média.
É flagrante, como afirma Xavier Sobrinho (2011), a ausência de correspondência entre o nível de vida possibilitado por essa renda e as necessidades decorrentes das representações sociais ligadas ao estilo de vida da classe média, repleto de distinções reais e simbólicas.
    É inegável que nos últimos anos houve uma elevação do padrão de consumo de parte expressiva da população brasileira de baixa renda, que passou a ter maior acesso a serviços, a bens não duráveis e duráveis, como eletrodomésticos, e a material de construção. Porém, essa ampliação do acesso a bens e serviços privados não foi acompanhada na mesma proporção do acesso a serviços públicos essenciais.  A chamada “nova classe média” continuou tendo baixo acesso a esgotamento sanitário ; morando em favelas  ou periferias distantes, precariamente servidas de meios de transporte; possuindo perfil educacional débil ; vendo seus filhos frequentarem escolas ruins, sendo vítimas de atraso escolar e evasão; recebendo serviços de saúde de baixa qualidade; possuindo ocupações não especializadas, pouco qualificadas.  Com efeito, o consumo desse segmento da população aumentou, mas sua vida continua longe de ter os confortos e as garantias que a vida de classe média oferece.
    Uma família de classe média deve ter atributos de classe média. Deve ter fundamentalmente uma ocupação que lhe garanta “ativos organizacionais” e de “qualificação”. Estes ativos dão status diferenciado dos operários à classe média porque permitem que essa tenha em suas mãos controle organizacional e conhecimento especializado diferenciado, que são fontes de poder na sociedade capitalista moderna. Em decorrência disso, obviamente, a renda da classe média será maior do que a dos trabalhadores/operários. Ou seja, a renda é uma consequência e não um pressuposto da condição de classe média.
Os apoiadores da ideia da emergência de uma “nova classe média” defendem-se de críticas alegando que eles estabelecem e analisam a evolução de estratos econômicos e não de estratos ou classe sociais.  Se se trata apenas de estratos econômicos não há que se falar em classe média e sim de uma designação qualquer que não remeta às classes sociais.   No entanto, não é isso que acontece.  Remeter às classes sociais e designar de “nova classe média” dá conteúdo inteiramente diferente do que daria chamar, por exemplo, de “estrato econômico A, B, C ou D”, pois constrói a sensação de “mobilidade social”, de “ascensão social”, de “resolução de problemas sociais”.  Legitima os artífices do modelo econômico que permitiu tal “ascensão”, ou seja, o poder político incumbente.    Assim é pertinente a avaliação de Bava (2012), que sugere tratar-se de uma operação ideológica o processo de fazer crer que o aumento do padrão de consumo de um grupo social de baixa renda o elevou à condição de classe média.
    Pode-se dizer que não há uma “nova classe média” brasileira, mas sim a representação de uma elevação da renda de famílias que ainda pertencem à classe trabalhadora. Para chegarem à categoria de classe média realmente, essas famílias necessitariam ter nível superior de renda, melhores trabalho e educação, em termos qualitativos e quantitativos, maior acesso a serviços públicos, prestígio e poder.
A denominação “nova classe média” é equivocada, está fora de lugar, não corresponde à realidade de um grupo social no Brasil que teve seu nível de consumo aumentado nos últimos anos, mas partilha muito mais uma sensação de ascensão social do que uma real ascensão social.


Referências
BAVA, S. C. Classes médias? Le Monde Diplomatique Brasil, v.5, n. 58, p. 3, maio 2012.
BERTONCELO, Edison Ricardo Emiliano. Classes sociais e estilos de vida na sociedade brasileira. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação de Sociologia do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
FRANÇA, Barbara Heliodora. Nova classe média ou novo proletariado?. São Paulo em Perspectiva, jan/mar, p. 45-51, 1994.
IPEADATA. Dados e indicadores sobre distribuição de renda.  Disponível em: Acesso em: 25 mar. 2014.
MAIA, Alexandre Gori. Espacialização de classes no Brasil: uma nova dimensão para análise da estrutura social. Tese de Doutorado. Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 2006.
MILLS, Charles Wright. A nova classe média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1979.
NERI, Marcelo. Consumidores, Produtores e a nova classe média: miséria, desigualdade e determinantes das classes. Rio de Janeiro: FGV/IBRE, 2009.
NERI, Marcelo. Os emergentes dos emergentes: reflexões globais e ações locais para a nova classe média brasileira. Rio de Janeiro: FGV/CPS, 2010.
NERI, Marcelo. A nova classe média: o lado brilhante da base da pirâmide. São Paulo: Saraiva, 2011.
REVISTA EXAME. Mais da metade dos brasileiros está na classe média.  São Paulo: Editora Abril, 2012. Disponível em: . Acesso em: 04 abr 2013.
SECRETARIA DE ASSUNTOS ESTRATÉGICOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (SAE/PR). A nova classe média brasileira: desafios que representa para a formulação de políticas públicas. Disponível em: . Acesso em: 05 ago 2012a.
SECRETARIA DE ASSUNTOS ESTRATÉGICOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (SAE). Comissão para definição da classe média no Brasil. Disponível em: . Acesso em: 05 ago. 2012b.
SECRETARIA DE ASSUNTOS ESTRATÉGICOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (SAE). Perguntas e respostas sobre a definição da classe média. Disponível em: . Acesso em: 01 abr. 2014.
XAVIER SOBRINHO, Guilherme G. de F. “Classe C” e sua alardeada ascensão: nova? Classe? Média?. Indicadores Econômicos FEE, Porto Alegre, v. 38, n. 4, p. 67-80, 2011.
VALOR ECONÔMICO. Renda aumenta nas favelas e classe média chega a 65% dos moradores. Disponível em: . Acesso em: 05 abr. 2013.
WRIGHT, E. O. Classes. London: Verso, 1985.
WRIGHT, E. O. The debate on classes. London: Verso, 1989.

João Batista Pamplona e Amanda Viviam dos Santos
João Batista Pamplona é Professor Associado do Departamento de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Economia Política da PUC – SP; Amanda Viviam dos Santos é economista e mestre em Ciências Sociais pela PUC – SP

[1] Dados de Neri (2011) revelam que 42% da “nova classe média” brasileira, a qual o autor também chama de “classe C”, não tinham, em 2009, cobertura de rede de esgoto.
[2] Nos últimos anos, surpreendentemente, multiplicaram-se na impressa brasileira manchetes afirmando que a maioria dos moradores de favela é de “classe média” (ver como exemplo Valor Econômico, 2013).  Parece que não se percebe a impossibilidade lógica de associar favela à classe média.  A favela no Brasil é por excelência um local de moradia da classe desprovida de propriedades e de qualificações profissionais superiores, ou seja, da classe trabalhadora.
[3] De acordo com Neri (2011), com base em dados de 2009, a “classe C” tinha apenas pouco mais de 7 anos de estudo em média, e a “classe AB” atingia 12 anos.  O mesmo autor revela que 48% da “classe AB” frequentava ou tinha frequentado curso superior e que essa proporção era de apenas 10,5% para a “classe C”.
[4] Ver Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2012a, 2012b, 2014) e Neri (2009, 2010, 2011).
[5]  Ver Revista Exame (2012) e Valor Econômico (2013).
[6] Dados compilados por IPEADATA (2014) revelam que o coeficiente de Gini, que mede a distribuição da renda familiar, com base em dados da PNAD/IBGE, caiu de 0,583 em 2003 para 0,53 em 2012.   A mesma fonte aponta que a taxa de pobreza caiu de 35,73% para 15,96% e a taxa de extrema pobreza reduziu-se de 15,16% para 5,30%, no mesmo período.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Isso é a minha opinião e eu não vou mudar

Já diria Roberto Shinyashiki em uma postagem compartilhada no meu FB tempos atrás: “Assumir nossos erros exige muita coragem em um mundo que parece feito de pessoas que sempre ganham todas...Assumir nossa ignorância exige muita humildade nesse mundo de quem sabe tudo.”

Eu considero que não tem nada mais libertador que assumir que você esteve errado. É muito gratificantes ser aquela “metamorfose ambulante” que citava o Raúl, de mudar nossas opiniões e ver que evoluímos. Por outro lado para aquelas pessoas que costumam se expressar de forma muito agressiva e orgulhosa, assumir que esteve na posição errada é muito difícil. É um muro intransponível, na qual a ignorância se eterniza e nos torna verdadeiros idiotas. O reacionário, é aquele que aprende a seguir a opinião comum e fatalmente caminha a ser intolerante. Se esse indivíduo tiver educação formal e convivência com pessoas fora do ciclo, mudará muito a forma como o encara fatos da sua vida. Se for esperto corrigirá os erros de sua educação, caso contrário sofrerá ao ver que a realidade é diferente daquela que lhe convém. Por consequência inventa, sem perceber, uma realidade alternativa onde ele é vitimado.

As vezes mudamos de opinião de forma forçada. Quando surgiu o iPhone eu duvidei que aquilo faria sucesso. Um telefone sem botões tinha muitos limites técnicos que a engenharia exigia para aquela coisa funcionar (processamento, sensores, tela touch). Mais tarde eu me deparava com crianças usando aquele aparelho. Nesse caso eu não podia mais (nem querendo) manter minha opinião.

Posso falar também sobre como eu mudei de opinião nos últimos anos com relação as medidas afirmativas, mas não foi de uma hora pra outra. Precisei de ver, ouvir e ler a opinião de várias pessoas. Mais que isso precisei de vivenciar exemplos, pensar muito e admitir que eu estava errado. Nada disso seria possível, se aqueles que passaram pelo mesmo processo tivessem me tratado com assertividade.

Há situações em que tudo está favorável, mas o caminho mais fácil é a negação. Felizmente procurar estudo ainda é a forma mais eficiente de mudar uma mente atormentada em velhas idéias, porém não a única. Podemos procurar por nós mesmos desenvolver essa capacidade. Não só devemos mudar ao outros mas devemos antes ajudar a nós mesmos a mudança.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Shakes industrializados secam músculos e não gorduras




Shakes industrializados secam músculos e não gorduras

Consumo da bebida deve ser moderado e não pode substituir refeições


POR MINHA VIDA - ATUALIZADO EM 27/09/2013

Seguir um cardápio balanceado e manter a dieta não é tarefa fácil. Você precisa de tempo e disposição para preparar refeições leves, nutritivas e equilibradas, muitas vezes, isso não é possível em meio à correria do dia a dia. Às vezes mal sobra tempo de mastigar, certo?
É aí que a solução mais fácil aparece: para não ficar sem comer nada ou consumir alimentos calóricos, você substitui sua refeição por um copão de shake e acredita que conseguiu economizar calorias e suprir todas as necessidades nutricionais de que seu corpo precisa para manter-se saudável.

O problema é que a bebida prática e saborosa nem sempre possui a quantidade necessária de vitaminas e sais minerais presentes em uma refeição e trocar o almoço ou o jantar por ela pode deixar sua imunidade em baixa e causar doenças graves, como anemia e disfunções renais.

"O shake é feito à base de leite e por isso carrega nutrientes importantes para o nosso organismo, porém, não apresenta todas as outras vitaminas e sais minerais que devem compor uma refeição balanceada, o que torna a substituição perigosa. O ideal é consumi-lo como complemento e não como refeição", explica a nutricionista da Unifesp Eliana Cristina de Almeida.


Shake
Raio X da bebida

Um teste divulgado em fevereiro deste ano, realizado pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - Proteste, contestou os benefícios do shakes para a saúde e para a dieta, quando seu uso é contínuo. Além de não possuir a quantidade ideal de nutrientes, a bebida apresenta desequilíbrio nas taxas de vitaminas e sais minerais que possui.

Entre os cinco produtos testados pela Proteste, nenhum apresentava equilíbrio nutricional suficiente. Os shakes testados foram Bio Slim, Diet Shake, Diet Way, Herbalife e In Natura.

Segundo a Proteste, três das cinco marcas analisadas (Diet Shake, Bio Slim e Diet Way), fornecem em seus produtos taxas excessivas de carboidratos e proteínas e gordura a menos do que deveriam, o que pode acarretar na perda de músculos (massa magra) e água em vez de gordura corporal, como prometem as embalagens e as tabelas nutricionais presentes nos rótulos destes produtos.

Sobre estes resultados, as nutricionistas da Nutrilatina, fabricante do Diet Shake, Daniela Tolari, da Herbalife, Lívia Venâncio e a assessoria de imprensa da Bio Slim, afirmam que estão dentro dos padrões estipulados pela Anvisa e pela OMS e que se de fato seus produtos oferecessem riscos à saúde, como sugere a Proteste, certamente não seriam liberados por estes órgãos e que é preciso saber quais critérios foram usados pela Proteste para se chegar a estes resultados, já que, segundo eles, os métodos da pesquisa não foram divulgados. As fabricantes do shake Diet Way e do In Natura não se pronunciaram.

Bomba de proteína

Segundo a Proteste, o consumo excessivo de proteína promovido pelos shakes, não deveria ultrapassar 10 a 15% do valor energético do produto, porém, em média, todas as marcas apresentam 32% de proteína.

A nutricionista da Unifesp, Eliana Cristina de Almeida explica que estes substitutos alimentares usados para emagrecer apresentam alto teor de proteínas exatamente para acelerar a perda de peso, porém, este excesso compromete o metabolismo sobrecarregando algumas funções importantes, como a renal e a hepática: "O excesso de proteínas compromete a ação dos rins e do fígado prejudicando a excreção de substâncias tóxicas e a oxigenação do sangue para manter o metablismo em dia", explica.

Quanto a quantidade de gordura, a pesquisa da Proteste mostra que os níveis aparecem muito abaixo do normal em todas as marcas, comprometendo a absorção de vitaminas e a síntese de hormônios: "As vitaminas A, B, E e K só são completamente metabolizadas em conjunto com a ação das gorduras no organismo. Quando não ingerimos gordura suficiente para metabolizá-las, corremos o risco de desenvolver anemia e, em pessoas mais velhas, desnutrição", afirma a nutricionista da Unifesp.

Cadê as fibras?

Já com relação às fibras, para substituir uma grande refeição, os shakes deveriam ter cerca de 10 gramas por porção, segundo a Proteste, porém nenhum deles chega perto deste valor. "As fibras funcionam como uma vassoura que vai limpando todas as impurezas de nosso corpo, se deixamos de consumi-la por muito tempo, deixamos nosso organismo vulnerável a infecções", explica Eliana.



Leia a matéria inteira aqui

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O Bolsa Bandido, Bolsa Prisão


Você já ouviu falar do Bolsa Presidiário?  Ou bolsa bandido. Existe uma corrente de email que passa por aí desde 2010, com algumas modificações. As pessoas geralmente pensam assim: “Bolsa prisão, não sabia que tinha isso. Então se o cara estiver casado e desempregado, pra esposa não passar dificuldades, vai lá, e comete um crime"
O assunto já caiu na difamação sem sentido mas calma, chama-se auxílio reclusão e existe sim! Só que é dever de todos procurar saber o que explico a seguir: Esse não é uma bolsa, mas um benefício do INSS que existe a mais de 50 anos. Não é o preso, mas sim a família que recebe esse benefício que é por família e dividido entre os filhos. Isso uma vez comprovado que a família do detento, que contribui em dia com a previdência social, é dependente da renda daquele que está encarcerado. Benefício esse que tem que ser renovado ano a ano, comprovando a necessidade da família.

Esse é o objetivo da seguridade social. Que todos contribuintes tenham um seguro que garante a renda do contribuinte, e de sua família, em casos de doença, acidente, gravidez, prisão, morte e velhice. Uma coisa que não faz sentido é dizer que todos pagam a conta. Se fosse seguir por este pensamento o LOAS (amparo social) é menos "justo" ainda, pois os beneficiários não contribuíram. Mas nesse caso quem paga a conta é o próprio detento.
Os filhos desse preso não tem culpa do crime do seu progenitor. É o que se diz que a pena não ultrapassa a pessoa. Não se trata de um bônus, mas de um tratamento justo. A família que sofreu o crime do detento também não é totalmente desamparada. O direito penal deve punir, o previdenciário é outra discussão. Seria como revogar a aposentadoria de quem comete um crime de trânsito. Ou tirar a propriedade... Não faz sentido!
A média do benefício é de 500 reais.. só pago a beneficiários de baixa renda. Os dados que encontrei, Por volta de 5% dos presidiários recebem.
O espírito da campanha difamatória é do mesmo nível que é possível ver nas redes sociais: Se o cara cometeu um crime todos os direitos devem ser revogados...
Mas o mais cômico foi quando comecei a pesquisar a previdência de outros países:
Na Inglaterra detento tem isenção de impostos, seguro-desemprego, auxílio por filho e se for pensionista recebe acumulado na saída do presídio… que país atrasado... #AcordaUK

terça-feira, 1 de abril de 2014

Manipulado, eu?


Ninguém quer sair do confortável adentrar no mar de dúvidas que a mudança exige.





    Quando se abre o assunto de manipulação, é consenso que ninguém é manipulado. Cada um quando fala de si critica a rede de televisão, o partido político, as pessoas, as empresas... mas eu, é claro estou de fora!
Podemos traçar um paralelo do manipulado com um viciado. Todos nós negamos o vício seja ele de qualquer dependência. Por isso é preciso tanto se olhar de fora na questão da manipulação. Mas é possível se auto avaliar?


Cortar as amarras exige desconforto
    As pessoas não procuram mudar, elas procuram se manter igual e se possível convencer as outras a serem iguais a elas. Quando você encontra algo que completa aquilo que você já tinha dentro do seu conjunto de valores subjetivos, é confortável. Ninguém quer sair do confortável adentrar no mar de dúvidas que a mudança exige. Por isso é típico da manipulação das massas acolher todo num grupo, convencer a uma unanimidade como primeiro passo e a perseguição aos não unânimes posteriormente. Isso é natural enquanto o manipulado exercer sua autonegação e sua falsa visão de livre arbítrio.


Manipulação é quando fatores racionais são deixados de lado em função dos passionais. Dessa forma a livre escolha do individuo, não é real. Ela é pré-determinada por aqueles que incitaram esses fator passionais. E isso é o que fazem conosco o tempo todo. Por exemplo pode ser tanto aquela criança que chora, um animal doméstico que faz manha, um parente próximo que faz chantagem emocional ou aquele pedinte de sinaleiro expondo um bife colado a perna... em todos os casos existe ameaça (de rompimento de um laço afetivo, ou incitação ao medo). E quem manipula tem plena ciência da manipulação e nenhuma culpa.


    Também há casos da promessa de uma vida feliz e prazerosa. As pessoas que detém grande quantidade de dinheiro, são exibicionistas e colocam o resto da sociedade em um papel de almejar o consumo como se isso fosse o torna-las mais felizes. Os valores familiares, quando bons, ajudam a separar as escolhas que nos levam a serem manipulados, pela promessa de felicidade. Porém quando ausentes leva-se aos padrões sociais. Que por sua vez levam a consumo exacerbado, ao uso de drogas, ao sexo irresponsável, a não valorização da educação, e tantas outras coisas. Esse tipo de manipulação é a mais perigosa, porque ela faz com que o manipulado acredite que ele teve uma escolha.

    Tudo é ilusório. Em todos os casos, na ameaça ou promessa, o risco real (de falha ou sucesso) é baixo, mas cremos que seja alto e factível. Por isso também pessoas manipuladas são confundidas com ignorantes, porém são na maioria das vezes são emocionalmente imaturas. Por outro lado não é sempre assim. Existe níveis de descomprometimento com a manipulação que mesmo pessoas inteligentes e maduras aceitam serem manipuladas simplesmente por não se importar ou não valer a pena ser do contra. Então pense duas, ou três vezes, antes de criticar os manipulados, você com certeza é um deles. A sua auto negação é indício disso.