terça-feira, 25 de março de 2014

Cotas raciais quebram o Apartheid no Brasil, não o cria.


"Frequentei escola de rico onde todos eram brancos, frequento curso de idiomas onde todos são brancos, trabalho numa empresa com centenas de pessoas brancas, todos meus amigos são brancos. Os negros nunca fizeram parte dos lugares que frequentei..."



Dizer que você não é racista, não representa absolutamente nada na luta contra o racismo. Não basta ter vergonha do que os brancos fizeram no passado contra os negros, é preciso ter vergonha do que eles fazem hoje.
Placa que nunca existiu no Brasil, mas nunca precisou
O primeiro erro é pensar que não existe diferença entre brancos e negros só porque a lei diz que são iguais. Esse pensamento de igualdade tenta zerar a dívida histórica que todos nós brasileiros temos com a raça negra. Essa dívida histórica não foi e não será paga, se apenas aplicarmos a lei. No Brasil, um país onde mais da metade da população é negro ou pardo, eu vivi um Apartheid. Frequentei escola de rico onde todos eram brancos, frequento curso de idiomas onde todos são brancos, trabalho numa empresa com centenas de pessoas brancas, todos meus amigos são brancos. Os negros nunca fizeram parte dos lugares que frequentei com raríssimas excessões. Eu nunca vi uma placa de proibido a entrada de pessoas de cor, mas nunca precisou. Eles sempre estiveram lá nas escolas deles, nos empregos deles. E não precisa dizer que eram bem piores. Nunca existiu uma lei que nos separasse, uma placa, nada. Mas sempre existiu mecanismos da sociedade e da economia que faziam o mesmo papel. Um ciclo que advém do passado, e não se quebra.

Eles tem uma desvantagem enorme com relação aos brancos, porque a estatística já comprova que negros ganham menos do que brancos. Como todo pobre não tem acesso a saúde, educação, alimentação, segurança e tem menos oportunidades de emprego. Isso tudo ainda incluindo o fato de serem negros (a cor da pele como identidade que serve de distinção) e sofrerem preconceito todos os dias pela cor. Quem sofre preconceito não é igual quem não sofre, não é? são iguais fisiologicamente, mas qual o efeito psicológico que o preconceito é capaz de fazer nestas pessoas?



Existe sim, barreiras muito altas. Negros, surdos, índios, deficientes físicos jamais vão competir em pé de igualdade com alunos ricos que tiveram ensino integral, com aula de inglês, informática, uma família com condições de pagar reforço, comprar livros, video-games, computadores… A prova de vestibular, foi "feita" pra eles.
Como você branco de sentiria fazendo uma prova de conhecimentos da cultura negra?
Se sentiria injustiçado eu aposto.
Quando eu entrei na faculdade as cotas não existiam. Na aula inaugural o então ministro Cristovam Buarque, que estava de visita a cidade, palestrou no teatro da reitoria. Foi então que um aluno representante do movimento negro na faculdade discursou a favor das cotas e foi vaiado. Eu ignorantemente engrossei a vaia. Bem mais tarde as cotas foram instituídas e eu pude viver a quebra do Aparheid.. pela primeira vez eu podia ver pessoas de cor, frequentando o mesmo espaço que eu. É nesse ponto que eu queria chegar. Se nada fosse feito, esse apartheid que eu vivi nunca deixaria de existir.

domingo, 23 de março de 2014

A fantasia da entrevista com o líder do PCC, ao jornal O Globo.


Recentemente eu vi um texto (compartilhado por várias pessoas) com uma suposta entrevista de um líder o PCC no Facebook. Em uma delas falaram que o texto é falso. Mas precisaria ser falso pra ser inverídico?
O BRASIL INTEIRO DEVERIA LER ESTA ENTREVISTA. Entrevista com o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, ao jornal O Globo.
Pra mim o texto é fantasioso de cabo a rabo. Bom, a começar pela diretriz do texto. Voltemos a anos atrás nos EUA quando a imprensa noticiou que haveria uma epidemia de abelhas africanas, elas seriam muito maiores e agressivas. A propaganda foi tão brutal que sumiu das prateleiras todos os inseticidas e por meses a indústria vendeu toda a oferta a preços altíssimos. Nunca houve enxame de abelha da forma que foi falado. Aqui no Brasil agente vive uma situação da propagação do medo, e o Arnaldo Jabor é um expoente desse tipo de "jornalismo". Quando estávamos na época do referendo do desarmamento existia um Hoax, que passava sobre uma possível conversa telefônica de um traficante militando a favor do "Sim". Era tão óbvio quanto esse texto a falsidade do áudio.. infelizmente tenho que admitir que eu mesmo repassei aquele negócio.
Tudo isso tem uma intenção muito similar, a propagação do medo e a manipulação. Não faz sentido traficante ter esse interesse demonstrado no texto. Por exemplo a suposta crítica a normalidade, a suposição a intervenção, por incrível coincidência é o mesmo discurso da parte podre da política que não tem poder algum de argumentação que não seja pelo medo.
Voltando exclusivamente ao texto, o líder o PCC fala até de taxa de juros tamanho a fantasia do texto... líder do PCC preocupado com política monetária? Citando a literatura em Italiano? Tá difícil de acreditar mesmo.
Fora esses pequenos pontos ridículos, o autor relaciona o tamanho das favelas com problema. E que somente uma intervenção externa sanitarista, seria a "solução" e que seria caro (mudança é interna com renda, e trabalho e condições favoráveis não contam). Esse é o pensamento muito claro, não daquele que pertence ou pertenceu a favela.. mas de quem está de fora.
O autor fala que antigamente era fácil resolver o "problema" e hoje não é mais. Mas que fundamento tem isso? Nenhum. Veja o coeficiente (GINI) que mede a desigualdade de riqueza no Brasil (estamos nos mesmos patamares de 1960):blog_1355784229.jpg
O gráfico tem uma escala bem tendenciosa, mas os números não mentem.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Aplicativos Anti-Furtos para Smartphones


Aplicativos de antifurtos são bem eficientes em encontrar Smartphones e criar alertas remotos. Mas você deve se perguntar por que não desmotiva os ladrões em roubar? Simples, porque pouco adiantam. Abaixo mostro algumas alternativas pra cada sistema e os problemas de cada uma.



iPhone - Buscar Meu iPhone (Find my iPhone)
Você pode instalar no iPhone o aplicativo oficial da Apple de localização. Na verdade ele é um sub-serviço do iCloud, que é provido por um aplicativo instalado na Apple Store. Ele emite um som, e um alerta na qual somente o usuário poderá desbloquear, com a senha ou digital. A pessoa que está em posse do celular só poderá fazer uma ligação pra um número que você informa remotamente pelo iCloud.



Até aí tudo bem, você pode localizar (ativar remotamente a localização se estiver desligada), e com tanto que a rede esteja pegando, tudo certo!
É…. Não! O telefone pode ser desligado, e pode ser dado um master reset que apaga todos os dados (até os bandidos estão ligados nisso). Infelizmente é isso que acontece quase todas as vezes.


Anti-furto para Android (Cerberous)
A maioria dos antifurtos gratuitos esbarram no mesmo problema. Felizmente para quem usa Android existe uma solução mais eficiente, mas que precisa de acesso Root. Você pode incluir o applicativo antifurto na memória de fábrica do aparelho assim ele vai ser localizado logo após o reset.
Você pode baixar o Cerberous e copiar manualmente para a memória somente leitura do celular com os comandos abaixo (usando terminal):
#su
#mount -o remount rw /system
#cp /sdcard/Cerberus.apk /system/app/


Só que nesse caso o ladrão ainda pode usar outro ROM (pelo menos o número de aparelhos com ROMs alternativas é limitado, no caso do meu telefone não existe) Geralmente o ladrão não vai além do factory reset. De quebra você ainda pode tirar uma onda com o interceptador monitorando toda a vida dele (cuidado ao comprar Androids usados).


A solução universal do IMEI
o IMEI é um identificador do celular único. O IMEI pode ser obtido discando *#06# no teclado. Guarde esse número!!!
Entre em contato com sua operadora informe o furto do aparelho, junto com o IMEI e o Boletim de Ocorrência. Solicite ao atendente a inclusão deste IMEI, na lista de aparelhos furtados. Uma vez incluído o aparelho não poderá mais se autenticar em qualquer rede.
É possível trocar o IMEI, mas este procedimento não é tão simples e os ladrõezinhos quaisquer não conseguem. Eles revendem a um preço inferior, como é possível encontrar em sites de vendas pela internet.
Por este motivo as operadoras estão estudando não permitir IMEIs repetidos, que deve resolver o problema.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Somos uma sociedade de selvagens


Quando na primavera árabe vimos a perseguição do ditador Líbio Muammar al-Gaddafi, a busca em uma valeta, execução e a exibição do corpo pendurado como um troféu, estávamos presenciando como ainda estamos em épocas pouco civilizadas.


 
A violência tão dispersa e dolorosa que vemos todos os dias, tem intensidade desproporcional para aqueles que não a praticam. Por essa razão a lei de talião parece ser uma ideia muito bem aceita inicialmente, entre os que clamam por justiça. Por outro lado a retaliação na mesma proporção é um ciclo interminável de violência. Já diria Ghandi que: se fossemos seguir olho por olho, acabaríamos todos cegos. Infelizmente no Brasil Ghandi seria intimado a "adotar um bandido", afinal não se aceita a ideia de acabar o ciclo da violência.

Soldado americano posando
ao lado de um Talibã
A onda de ataques aos direitos humanos difundida pela tv e internet, expõem um dos lados mais ignorantes da sociedade. “Bandido bom é bandido morto”, “direitos humanos, para humanos direitos”. A violência enraizada em todos os cidadãos médios brasileiros, na verdade não é privilégio Tupiniquim ou presente colonial. Operações oficiais do exército Americano demonstraram isso bem. Por exemplo quando na primavera árabe vimos a perseguição do ditador Líbio Muammar al-Gaddafi, a busca em uma valeta, execução e a exibição do corpo pendurado como um troféu, estávamos presenciando como ainda estamos em épocas pouco civilizadas. O mesmo também ocorreu na perseguição ao ditador iraquiano Saddam Hussein, encontrado em um buraco com a barba comprida, vestindo trapos (muito diferente da imagem que tanto ostentou), teve sua condenação a forca, com a execução gravada e televisionada com todos vibrando o fim do velho amigo e atual inimigo americano. Não faltam exemplos de grande incoerências nos pilares republicanos e democráticos americanos entre a política interna e externa. Assim também foi na antiga Atenas (berço da democracia) com exército intimidador e nos terrores da revolução Francesa.
Sempre temos um lado, e se considera que é justo tudo contra aquele que está do lado oposto. Daí advém o problema de se lutar com as mãos e não com ideias: sempre consideramos injusto a violência contra nossos simpatizantes, mas justa contra outros. O que é condição necessária para barbárie se prolongar indefinidamente.

terça-feira, 11 de março de 2014

A falácia sobre a Arena da Amazônia


A ideia da Arena de Manaus  ser "elefante branco" foi mais uma crítica a cidade que ao estádio.

A triste realidade que se vê as críticas de Manaus sediar a Copa 2014 é a pura síndrome de vira-lata. O jornal britânico "Daily Mirror" chamou a cidade de um dos lugares mais brutais do mundo (como se fosse uma Somália) e disse que por ela passeiam cobras, tarântulas e outros animais peçonhentos. O técnico da suíça afirmou a velha máxima: “que é  quase irresponsável que se jogue futebol no meio da selva".

A ponte sobre o Rio Negro em Manaus
 O que se fala na mídia convencional a respeito de Manaus só não chega a ser pior que as piadinhas contra o Acre. A ponte sobre o Rio Negro em Manaus que é a principal ligação por terra da capital amazonense ao sul do estado foi tratada pela mídia como ponte que liga nada a lugar nenhum. O que precisa ser considerado é que Manaus tem 2 milhões de habitantes e é um polo industrial. A menos de 10 anos Manaus só tinha acesso a internet por antenas. Que levava um custo de 5 vezes as capitais do sudeste ao usuário. Toda ampliação na infraestrutura é bem vinda.

A ideia da Arena de Manaus  ser "elefante branco" foi mais uma crítica a cidade que ao estádio. Foi justificado levando em consideração a média de público dos jogos lá (média de cerca de 2000 pagantes no campeonatos regionais segundo Le Monde). Alguns jornais chegaram a divulgar 500 pagantes (levando em consideração sabe-se lá o que). É evidente que a média é um péssimo indicador, visto que o estádio deve ser dimensionado sempre pelo máximo não pela média. Até mesmo os campeonatos regionais do sul e sudeste tem médias baixíssimas. Como maior exemplo dessa incoerência em 2013, pela Copa do Brasil, o Nacional de Manaus chegou a jogar com 3 times da série A: Coritiba, Ponte Preta e foi eliminado pelo Vasco da Gama. É uma situação ridícula (que parece ninguém ver) a capital do estado demandar jogos dessa importância no “Estádio do SESI” que tem uma estrutura de campo de clube.
Além do mais como foi notado em outros estádios construídos para a copa, houve um aumento na média do campeonato Brasileirão de 2013 em 40%. Isso já mostra que existe uma demanda reprimida, e que a construção de estádios melhores já é um incentivo capaz de alterar a realidade de público. Outro fato não citado é que a ampliação de lugares não foi tão expressiva, houve a demolição do estádio Vivaldão com capacidade para 31 mil pessoas, para construção da Arena da Amazonia com capacidade de 42 mil.

Mas ainda é possível mudar totalmente a discussão do plano do futebol. O estádio de Manaus é chamado multi-eventos compreende o complexo do sambódromo amplamente utilizado várias vezes ao ano no carnaval e nas festas do boi com público muito maior ao futebol. Podemos ver que a cidade, precisa e muito de todo tipo de incentivo. Só não podemos aceitar a imagem de selva.

sábado, 8 de março de 2014

Computadores podem ser conscientes?


Os computadores hoje são ótimos em fazer contas,
em jogar xadrez, em simular comportamento de fluídos.
Mas tudo isso foi programado e o que vemos é a
manivela sendo girada.

Se você assistiu o filme her (ela) e pensa que a história é uma boa previsão do futuro, não se iluda. Existe um longo caminho até agora desconhecido para que os computadores tenham consciência. Aqueles contextos do Exterminador do Futuro ou Matrix, onde as máquinas dominam o mundo, é improvável.

Recentemente eu li um artigo jornalístico, que dizia que os computadores estavam ficando cada vez mais rápidos  e que por isso substituiriam os professores. Isso é absolutamente ingênuo e será só mais uma previsão do futuro que nos parecerá humorística. Os professores podem sim ser apoiados no futuro, dificilmente substituídos.

Existe uma matéria extremamente formal da computação que estuda o que os processos lógicos são capazes de processar. Na teoria da computação há alguns fatos: o primeiro é que tudo que um computador faz, é possível de ser traduzido por uma máquina extremamente simples. É como uma máquina de escrever mecânica com estados (que seriam memórias). Tudo que um computador de hoje calcula (mesmo ele sendo milhares de vezes mais potente que os super computadores de 1980), pode ser feito pela máquina antiga (só levando mais tempo). Aumentar a velocidade não traz poder de computar coisas novas, só diminui o tempo que estas coisas levam.

Filme onde o ser humano
se apaixona pela máquina


Por mais que você aumente muito a memória dos computadores, e torne o processo de busca extremamente rápido. Com isso se consiga incluir uma base gigantesca de frases, e associações entre elas, isso só vai trazer a falsa sensação de inteligência. Mesmo que você possa ser enganado por ela, no fundo mesmo não passa de um conjunto de repostas prontas.

Os computadores hoje são ótimos em fazer contas, em jogar xadrez, em simular comportamento de fluídos. Mas tudo isso foi programado e o que vemos é a manivela sendo girada. Eles não podem aprender a ficar mais rápidos no xadrez se alguém não o programar pra isso e eles também não podem se autoprogramar. Redes neurais artificiais são apenas uma representação matemática, pra algo que no fundo é traduzido por uma fita girando pra um lado e para o outro. Todos os fantásticos avanços da inteligência artificial, ainda não produziram inteligência real.

Outro fato sacramentado da teoria da computação é que existem classes de problemas não computáveis. Esses não poderão ser resolvidos por máquinas que seguem um processo lógico. São problemas que somente uma mente inteligente de verdade pode analisar sua resolução. Pra que haja uma mudança deve haver máquinas que funcionam com uma lógica totalmente diferente da tradicional, que nem mesmo a computação quântica parece abalar essas estruturas por enquanto.

Portanto fique avisado, pelo que se vê até hoje. A famosa lei de Moore não é fato suficiente para que os computadores fiquem conscientes. Mesmo que os computadores fiquem bilhões de vezes mais rápidos você não vai poder, como nos filmes, considerá-lo humano.

terça-feira, 4 de março de 2014

Migração do site

O feriado de carnaval serviu pra dolorosa migração do site para um CMS. O site www.afms.com.br só teve a transferência da antiga URL afms03 na ufpr. Desde 2007, na quase sua criação, que aqueles montes de páginas estáticas estavam precisando de alguma modernidade.

O blog também foi reativado e terá atualizações, pretendo que, semanais.

É isso .. até mais..